sábado, 27 de abril de 2013

5º. Domingo do Tempo Pascal – Ano C

Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34). Jesus nos revela o mandamento novo: a referência do amor é o Cristo, revelador do amor do Pai. A máxima que ordena o amor ao próximo (“amar o próximo como a ti mesmo”) é do Antigo Testamento. A lei de Jesus é amar como Ele amou.

O amor de Jesus é gratuidade. O amor depende de um desprendimento, de um sair de si mesmo, de uma entrega. Jesus se ofereceu por nós, sem olhar nossos merecimentos, sem buscar a própria realização, mas o bem de todos, de todos nós que somos tocados por seu amor. Este é o amor, chamado pelo evangelho de ágape não suprime a dimensão do eros, ou seja, sua dimensão corpórea, material, afetiva. Na verdade todo eros é positivo, desde que seja integrado ao ágape. O Cristianismo não sufoca o eros. Jesus mesmo nos mostrou isso com um amor real, um amor concreto. O amor de Jesus o fazia abraçar, beijar, acolher, enxugar lágrimas...

Se os israelitas esperavam a glória de Deus manifestada em fenômenos extraordinários, fenômenos da natureza que causam medo, espanto e até medo, Jesus vem manifestar a glória em si mesmo: “Agora foi glorificado o filho do homem”. Uma pessoa concreta, Jesus de Nazaré, manifesta a glória do Pai, gradativamente, até dar a própria vida. Nós amamos quando manifestamos o amor nos momentos concretos da vida. Existe amor na doação de uma mãe, no serviço de um líder de pastoral, no consolo dispensado por aquele que é tocado pela compaixão diante do sofrimento alheio, nos casais que se doam mutuamente, no perdão. Nós seremos reconhecidos como discípulos de Jesus pelo amor.

Amar é uma porta aberta ao sofrimento. Amar implica em estar aberto até às ingratidões, porque se ama pessoas concretas. Amar implica em perseverança diante das durezas da vida, dos desafios, dos fracassos. Aqui fazemos eco à exortação de Paulo e Barnabé à comunidade: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (At 14,22). Jesus, ao morrer, não foi masoquista, mas fez de sua cruz uma oferta de amor.

O sofrimento, porém, não é sem sentido, desde que ele seja um caminho para construir a Nova Jerusalém. Cada lágrima, cada cruz, cada dor e a própria morte ganham sentido quando miramos a eternidade – “o novo Céu a nova terra”.

“Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes” (Ap 21,4). O Senhor não apenas dá sentido a dor que é fruto da entrega, mas acolhe todo sofrimento humano, seja qual for. Mesmo as tristezas mais incompreensíveis como a morte de uma pessoa jovem, um câncer repentino... Ele seca as lágrimas e nos consola com a esperança de um mundo onde a tristeza já não há.

Que as lágrimas de amor se transformem na alegria da abundância que nos espera, no mundo novo que começa já, aqui e agora – o Reino dado por aquele que venceu a morte e ressuscitou dos mortos.

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Eis que faço novas todas as coisas

Os dias que antecederam a eleição do Santo Padre, o Papa Francisco, foram repletos de especulações, seja em torno do nome do futuro Pontífice, seja na busca da novidade ou da renovação da Igreja. Muitos viam a necessidade de um Papa "progressista", entendido como um Pontífice que viesse a mudar os rumos da Igreja em direção a conceitos e práticas divergentes da perspectiva evangélica, marcada pelo seguimento de Jesus Cristo, acolhimento do mistério da cruz e serviço humilde aos mais pobres. E tantas vozes se calaram ou deram razão ao fato de o Espírito Santo ter tomado de novo a palavra, tirando "da manga" a grande surpresa que tem sido o Papa. Discursos breves, centrados no essencial da mensagem cristã, gestos significativos, acolhimento, abraços, tudo apontando para a fidelidade a Jesus Cristo, proposta de bondade e ternura, braços abertos que expressam misericórdia e perdão.

A Igreja continua a mesma e sempre nova, capaz de se reformar com a chave da conversão que abre as portas dos corações. A novidade vem de dentro e não se conforma com a mentalidade corrente. A Igreja será sempre acompanhada pela provocação positiva da Carta dos Romanos: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito" (Rm 12,2). Papa Francisco é revolucionário, porque ama sem mudar uma vírgula que seja do Evangelho, do Catecismo ou do ensinamento moral da Igreja!

Já na Igreja primitiva, o crescimento dela acontecia quando passava por muitos sofrimentos e perseguições (Cf. At 14,21-27). Sua vida se caracterizava pelo anúncio da Palavra, testemunho da caridade e das ações maravilhosas do Senhor, orações e jejuns e atividade missionária. O apóstolo São Paulo empreendeu as grandes viagens, quando formava novas comunidades e constituía os servidores aos quais confiava estas mesmas agregações de cristãos. A Igreja suscitava a fraternidade e as pessoas nela se sentiam acolhidas e amadas. Dali para frente e até hoje, onde uma comunidade cristã se reúne na caridade, abre-se um oásis verdejante, onde as pessoas podem saciar sua sede de vida verdadeira.

A compreensão de comunidade para a fé cristã deriva da vida e dos ensinamentos de Jesus, assimilados pelos apóstolos e pelas primeiras comunidades. Na base da experiência comunitária, proposta por Jesus, está a experiência da “comunhão”. Jesus inicia seu ministério chamando discípulos para viverem com ele (cf. Mc 3,14). Todo o itinerário do discípulo, desde o chamado, é sempre vivido na comunhão com o Mestre, que se desdobra na comunhão com os outros. A dimensão comunitária é fundamental na Igreja, pois se inspira na própria Santíssima Trindade, a perfeita comunidade de amor. Sem comunidade, não há como viver autenticamente a experiência cristã. A dimensão comunitária da fé cristã conheceu diferentes formas de se concretizar historicamente, desde a Igreja Doméstica até chegar à paróquia na acepção atual (Cf. Tema central da 51ª Assembleia geral da CNBB, n.42-43), ou a proposta da paróquia como "comunidade de comunidades", que tem sido encaminhada na maioria das dioceses do Brasil. Bem vivida, a dimensão comunitária da fé cristã transforma as pessoas e o mundo.

A fonte da novidade está no alto, lá no céu, na vida da Santíssima Trindade. Serão autênticas as comunidades cristãs e será confiável a vida de cada cristão quando refletirem a vida de Deus. De fato, quando Jesus abre a alma para anunciar o "seu" mandamento (Jo 13,31-35; Jo 15,12-17) não se limita a propor uma convivência pacífica e respeitosa entre as pessoas, mas quer que nos amemos uns aos outros "como" Ele nos amou. Não basta a benevolência ou, quem sabe, a filantropia, ou ainda o respeito à liberdade dos outros e às diferenças. Ele pede um pacto de amor mútuo, com pessoas dispostas a darem a vida uma pelas outras. Esta, sim, é a novidade, esta é a revolução para nosso mundo. Com este amor autêntico, vindo do céu, vem também a verdade, a justiça e todos os valores do Reino de Deus.

Homens e mulheres que fazem esta escolha são portadores de um tempo novo, em que Deus vem morar no meio do seu povo, para enxugar todas as lágrimas. Virá, sim, o tempo em que a morte não existirá mais e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque terá passado o que havia antes (Cf. Ap 21,1-5). Quem aceitar dar o primeiro passo, nesta direção, não precisará esperar muito, pois verá, desde agora, florescer o jardim de Deus em torno de si. Basta começar, sem muitas palavras, com gestos simples e significativos, sem medo da ternura e da bondade, espalhando a misericórdia e o perdão.

Aquele que é o "homem novo", que realiza as bem-aventuranças e atrai irresistivelmente as pessoas de todos os tempos, o que não deixa ninguém acomodado, este, sim, dirá: "Eis que faço novas todas as coisas" (Ap 21,5). Diante dele o Espírito e a Esposa, que é a Igreja, dizem: Vem, Senhor Jesus! Quem tem sede da novidade, venha, e quem quiser, receba de graça a água da vida! (Cf. Ap 22,17)

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Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém - PA

sexta-feira, 19 de abril de 2013

4º. Domingo do Tempo Pascal – C

Podemos chamar este dia de domingo do Bom Pastor. O Evangelho nos remete a um dos salmos mais conhecidos, o Salmo 23: “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. Em verdes prados me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes...” Devemos hoje contemplar e alimentar o nosso coração com esta imagem: somos pequenas ovelhinhas nas mãos do Pastor. Ele nos dá proteção e segurança.

No tempo de Jesus, no fim da tarde, os pastores reuniam as ovelhas em um local para passar a noite. De manhã, ao grito do pastor, todas as ovelhas se juntavam, seguindo uma voz de comando, uma espécie de senha que realizava de modo automático a comunhão do rebanho. É neste contexto que devemos entender as palavras do Evangelho: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (Jo 10, 27).

As ovelhas tem uma intimidade com o seu pastor, por isso, sua voz é ouvida e seguida. Quando duas pessoas se amam, a voz tem um poder que cria uma reação espontânea. Portanto, escutar a Palavra é algo muito mais profundo do que ler a Bíblia e entender a sua mensagem, é antes de tudo, um vínculo de amor e de seguimento.

A Palavra do Pastor é o que faz a coesão do rebanho. Aqui fica evidente o significado do termo igreja (vem de ekklesia = povo convocado). É a Palavra que convoca o Povo de Deus e é pela Palavra que somos constituímos cristãos, discípulos. Por isso, é necessária a escuta atenta à Palavra, para que o nosso coração seja fortalecido e para que saibamos quais são os caminhos que devemos andar. Além da Missa, a leitura orante da Sagrada Escritura é uma ótima oportunidade para que tenhamos intimidade com a Palavra de Deus: a melhor escuta é aquela realizada no silêncio do coração em atitude orante, na abertura do Espírito.

As ovelhas conhecem a voz do Pastor. No Evangelho de João, o verbo conhecer tem uma conotação existencial: quem conhece está em comunhão, comprometido, teve em sua vida uma mudança motivada pela fé. Portanto, escutar a voz do Pastor e conhecer este mesma voz são duas ações que se complementam. O que o Bom Pastor nos pede hoje?

As ovelhas são um povo perseguido, a sua marca é a fidelidade mesmo diante das perseguições. Na 1ª Leitura, Paulo e Barnabé foram para Antioquia da Pisídia e começaram a evangelizar. Como os judeus, na sua maioria, não quiseram dar ouvidos à Boa Nova, os apóstolos começaram a pregar para os gentios. Foram expulsos da região dos judeus, mas continuaram a missão, não se deixaram esmorecer. Na 2ª Leitura, vemos uma multidão que alvejou as suas vestes no sangue do Cordeiro. Trata-se da Igreja perseguida por Domiciano, imperador romano. Esta multidão com vestes de sangue representam também todos os cristãos que deram a sua vida em nome do Senhor ou que sentiram as dores que advém da opção pela proposta de Jesus.

Diante das ameaças, o Senhor não nos abandona, pois prometeu que estaria conosco: “E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos” (Ap 7,17). O Bom Pastor não nos deixará sucumbir em meio a dor. Devemos seguir o caminho, mesmo que por vezes, vivamos em um vale de lágrimas, como se reza na Salve Rainha. Deus enxuga cada lágrima, ele se preocupa com a nossa dor, com a nossa tristeza, com a perseguição de suas ovelhas. Recebamos o consolo do Pastor que nos abraça.
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Pe. Roberto Nentwig
 
 

sábado, 13 de abril de 2013

JMJ Rio2013: tempo de peregrinar

Mais de dois milhões de peregrinos são esperados para participar da 28º edição da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro. Mas por que os participantes são chamados peregrinos?

Um dos filmes que estarão em cartaz durante o Festival da Juventude da JMJ Rio2013 mostra um pouco desse espírito na JMJ que foi chamada de “Aventura da Fé”. No documentário “Era uma vez uma fé”, dois jovens franceses saíram de bicicleta pelo mundo para descobrir como a fé católica é professada nas mais diversas culturas. Ao longo deste caminho, podemos chamar esses dois jovens também de peregrinos. A livre escolha de sair de sua realidade em busca de algo maior por caminhos, até distantes e desconhecidos, é o que move e aproxima esses dois jovens aos milhares que deverão chegar à cidade brasileira em julho.

Segundo o padre Leonardo Lopes, que faz parte do Setor Preparação Pastoral da JMJ Rio2013, o povo de Deus é um povo a caminho. Desde o início da história da salvação, vemos Deus chamar o seu povo a “estar a caminho”; foi assim com Abraão, José, Moisés e muitas outras figuras bíblicas no Antigo Testamento. O próprio Jesus, em sua vida pública, estava sempre em peregrinação de um lugar para o outro. “A Igreja, que é peregrina neste mundo rumo ao Céu, sabe de onde veio, o que leva e para onde vai. É a mesma nos quatro cantos da Terra”, afirma o sacerdote que exalta essa característica como uma das mais belas da nossa fé. Por isso, é natural a todo Homem, criado por e para Deus, não importando a qual realidade isso seja aplicada.

O desejo de sair de si e se descobrir em Deus e no outro é comum aos peregrinos da Jornada. O que é reforçado dessa experiência é um sentimento de “ser Igreja” e sobressaem as características que marcam o catolicismo: o amor e a unidade. Esse sentimento, para padre Leonardo, também é normal, já que a própria raiz da palavra “Igreja” quer dizer “sair de si”.

Outra pista de reflexão sobre esse chamado à peregrinação é sua ligação com a questão da maturidade interior como uma caminhada na fé ao longo da nossa caminhada da vida. O próprio Papa Francisco falou sobre esse caminhar em sua homilia na Missa ao final do Conclave que o elegeu. “A nossa vida é um caminho. Quando paramos, alguma coisa está errada. Caminhar sempre na presença do Senhor, na luz do Senhor, buscando viver com aquela irrepreensibilidade que Deus pede a Abraão na promessa", frisou o Papa Francisco.

Muitos dos trechos do filme, exibido aos colaboradores e voluntários do Comitê Organizador Local (COL), lembraram os espectadores de suas experiências como peregrinos da JMJ. “Essa pergunta do ‘será que somos todos irmãos em todos os lugares’ que estava no filme é atual e está na cabeça de muitos que vão para a Jornada. Na JMJ percebemos de modo visível a união que existe em nossa Igreja, um local onde a fé supera qualquer barreira política, de língua, de cultura”, exemplificou frei Lucas Nascimento, voluntário do COL. E o padre Leonardo concorda: “A JMJ é um retrato do caminhar da vida. Sua estrutura, nesta possibilidade do jovem sair de si, materializa também a nossa caminhada interior, tanto humana quanto espiritual, em que o caminho com outros iguais a nós nos faz redescobrir quem somos, de onde viemos e para onde vamos”.

Terminando este tempo de Quaresma, no qual experimentamos um pedido de sacrifício maior, de caminho mais interior, poderemos viver assim a presença do Ressuscitado que edifica a nossa vida e restaura as nossas forças.
Fonte: Rio2013

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Formação Permanente para Catequistas

Teve início na sexta-feira dia 05/04 no Salão Paroquial o Curso de Formação Permanente para Catequistas da zona urbana e rural da Paróquia N.Sra. Aparecida. O curso está sendo ministrado pelo Pe.Crisóstomo e acontecerá quinzenalmente. O próximo encontro de formação, está marcado excepcionalmente para acontecer no dia 17/04 das 18h30min às 20h.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Assembleia Diocesana da Pastoral da Juventude


A partir deste Encontro a PJ da Diocese pretende construir o caminho a ser percorrido pela Pastoral no compromisso com o Reino! Muito há para reviver, analisar a realidade, estudar e planejar ações. Será um momento importante no caminhar da PJ, dentro de sua estrutura e organização; construir e deliberar o plano de ações para os próximos anos (2013-2014), promovendo também oportunidade de entrosamento entre os jovens de várias partes da Diocese que estão na mesma luta pela juventude, aumentando assim a troca de experiências e fortalecimento dos grupos de jovens nas bases.

Neste tempo de renovação, somos tidos como prioridade da ação evangelizadora da Igreja, e assim estamos começando uma nova fase de trabalho na Pastoral da Juventude Diocesana, e para atender as necessidades requeridas, necessitamos do apoio e a presença de todas as Paróquias, só assim será possível chegar a todos os grupos de base, onde a PJ realmente acontece (trechos da carta da coordenação).

A equipe ainda ressalta a importância do preenchimento e apresentação de todas as fichas que foram encaminhadas as Paróquias da Diocese juntamente com a Carta Convite e que os participantes confirmem presença até o dia 10 de abril (quarta-feira), pelo telefone da Secretaria Paroquial de Cristino Castro: (89) 3563-1177.