sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Padre Anchieta poderá ser canonizado em 2014

Conhecido como “Apóstolo do Brasil”, o beato José de Anchieta foi responsável pela criação do colégio de Piratininga no dia 25 de janeiro de 1554, que deu origem à cidade de São Paulo. O missionário, que chegou ao Brasil em 1553, deve ser canonizado no próximo ano. Natural de Tenerife, nas Ilhas de Canárias, na Espanha, ele nasceu no dia 19 de março de 1534. 

No decorrer de sua vida, o padre passou por cidades como São Paulo, Espírito Santo e Bahia propagando os ensinamentos do Evangelho. Faleceu na cidade de Reritiba (atual Anchieta no Estado do Espírito Santo) em 9 de junho de 1597. 

Em coletiva de imprensa, na quarta-feira, 18 de dezembro, o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis, comentou sobre o pedido feito pela Conferência no Brasil ao papa Francisco para a canonização do beato Anchieta. 

“Durante a visita da presidência da CNBB ao Santo Padre no mês de outubro, entregamos uma carta com o pedido da canonização deste grande apóstolo, também declarado pela Conferência do Brasil como padroeiro dos catequistas”, explicou 

Em telefonema ao cardeal, o papa Francisco expressou acolhimento ao pedido da canonização. Para o arcebispo, esta é uma surpresa para a Igreja no Brasil. Ele afirma que este não é um desejo somente dos bispos, mas de cada pessoa que atribui santidade ao beato. 

“Somos muito gratos ao papa em acolher esse pedido não só da CNBB, mas de várias instituições e do povo brasileiro que deseja ver o beato Anchieta venerado publicamente em todo o mundo e como modelo de santidade, no seguimento de Jesus, disse. 

Canonização 

O padre Anchieta foi beatificado pelo papa João Paulo II, em Roma, em 22 de junho de 1980. A data da canonização ainda não está definida, mas pode ser que ocorra ainda em 2014. O trabalho prossegue agora com a Congregação das Causas dos Santos. 

A preparação da Positio em Roma, ou seja o texto com a biografia de Anchieta, uma relação de prováveis milagres e a dimensão nacional e internacional de sua devoção, como também provas da sua fama de santidade, está sendo feita pelo padre César Augusto dos Santos.

Preparando o Natal em Família

Em vista do Santo Natal do Senhor, as igrejas cristãs orientam os fiéis para estreitar os vínculos de amor recíproco, vivido na família - a igreja doméstica. Para tal intento estão disponibilizados milhares de exemplares da Novena de Natal, motivando os membros da família à oração e reflexão à luz da Palavra de Deus. A temática natalina enfatiza os relacionamentos familiares, com enfoque especial na juventude. O verdadeiro sentido da vida reside no sentimento de pertença efetiva na família. A vida adquire sentido quando se busca a comunhão e a participação entre as pessoas que se querem bem, não obstante erros e fraquezas de cada um. A mensagem do Natal visa integrar os filhos e as filhas de Deus, ainda que estejam dispersos ou afastados. Nada supre o convívio de amor no seio familiar! 

Por mais que as propagandas comerciais fascinem-nos ou tentem aliciar nosso apetite de consumo, ninguém substitui o calor humano, vivido no encontro entre os membros de uma família. Ainda que cercados de benesses materiais, nós chegamos a nos afastar dos parentes, acabando por nos dispersar. Nem as comunicações virtuais suprem o sentimento de afeto e de segurança, construído no dia-a-dia do convívio familiar. Pouco vale a correria às compras de fim de ano, na tentativa de compensar o afeto e bem-estar que somente se encontra no aconchego de um abraço sincero. A verdadeira felicidade não se alicerça no excesso de exterioridades que, cedo ou tarde, deixam o espírito vazio, frustrado.

Não raro sentimos decepção pela falta de motivação para que a família reúna-se. Um bom almoço pode ajudar, mas não podemos trocar as pessoas pelas coisas. Não se vai à casa de alguém por causa de comida e sim pelas pessoas a quem se quer bem. Essa é a lógica espiritual que nos aproxima da ceia do Senhor, a mesa da comunhão eucarística, sinal de unidade, vínculo de amor. Receber a comunhão não é prêmio, mas é força, é vigor, é remédio, é conforto para quem precisa se encontrar na vida, encontrar-se com os outros e se integrar numa comunidade, numa família.

Provocações, intrigas, divisões entre as pessoas, entre comunidades e povos resulta da ausência do cultivo da espiritualidade do amor partilhado. O medo da verdade condena-nos à escravidão do egoísmo. O medo de se libertar das mentiras da existência é o medo de amar de verdade! Somente o amor efetivo, encarnado, cultivado em momentos especiais, pode reverter o comportamento adverso, agressivo, suspeito, negativo. Foi exatamente isso que o Cristo veio trazer à humanidade! Ele se encarnou por nós e por nossa salvação da mentira, do ódio, das divisões.

Enquanto Cristo veio como luz dos povos, há gente por aí que insiste em apagar o brilho dos outros para que brilhe somente sua estrela. A mania de tirar vantagem sobre os outros, a excessiva preocupação com a imagem e sucesso pessoal, o despreparo para conviver em sociedade, o egoísmo, a inveja, os ciúmes, enfim, as misérias de nossas vaidades, não deixam espaço para o amor e a verdade de Deus. Enfrentemos as contradições da sociedade de consumo que prescinde dos valores espirituais sem agredir ou se julgar melhor que alguém. Aprendamos em tudo a amar e a servir pela palavra e pelo exemplo.

Dom Aldo Pagotto
Arcebispo da Paraíba (PB)