quinta-feira, 30 de maio de 2013

Celebração de Pentecostes

No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu com poder sobre os Apóstolos; teve assim início a missão da Igreja no mundo. O próprio Jesus tinha preparado os Onze para esta missão aparecendo-lhes várias vezes depois da sua ressurreição (cf. Act 1, 3). Antes da ascensão ao Céu, ordenou que "não se afastassem de Jerusalém, mas que aguardassem que se cumprisse a promessa do Pai" (cf. Act 1, 4-5); isto é, pediu que permanecessem juntos para se prepararem para receber o dom do Espírito Santo. E eles reuniram-se em oração com Maria no Cenáculo à espera do acontecimento prometido (cf. Act 1,14). 

Permanecer juntos foi a condição exigida por Jesus para receber o dom do Espírito Santo; pressuposto da sua concórdia foi uma oração prolongada. Desta forma, encontramos delineada uma formidável lição para cada comunidade cristã. Por vezes pensa-se que a eficiência missionária dependa principalmente de uma programação atenta e da sucessiva inteligente realização mediante um empenho concreto. 

Sem dúvida, o Senhor pede a nossa colaboração, mas antes de qualquer resposta nossa é necessária a sua iniciativa: é o seu Espírito o verdadeiro protagonista da Igreja. As raízes do nosso ser e do nosso agir estão no silêncio sábio e providente de Deus. 

As imagens que São Lucas usa para indicar o irromper do Espírito Santo o vento e o fogo recordam o Sinai, onde Deus se tinha revelado ao povo de Israel e lhe tinha concedido a sua aliança (cf. Êx 19, 3ss). A festa do Sinai, que Israel celebrava cinquenta dias depois da Páscoa, era a festa do Pacto. Falando de línguas de fogo (cf. Act 2, 3), São Lucas quer representar o Pentecostes como um novo Sinai, como a festa do novo Pacto, na qual a Aliança com Israel se alarga a todos os povos da Terra. A Igreja é católica e missionária desde a sua origem. A universalidade da salvação é significativamente evidenciada pelo elenco das numerosas etnias a que pertencem todos os que ouvem o primeiro anúncio dos Apóstolos (cf. Act 2, 9-11). 

O Povo de Deus, que tinha encontrado no Sinai a sua primeira configuração, hoje é ampliado a ponto de não conhecer qualquer fronteira de raça, cultura, espaço ou tempo. Diferentemente do que tinha acontecido com a torre de Babel (cf. Jo 11, 1-9), quando os homens, intencionados a construir com as suas mãos um caminho para o céu, tinham acabado por destruir a sua própria capacidade de se compreenderem reciprocamente. No Pentecostes o Espírito, com o dom das línguas, mostra que a sua presença une e transforma a confusão em comunhão. O orgulho e o egoísmo do homem geram sempre divisões, erguem muros de indiferença, de ódio e de violência. 

O Espírito Santo, ao contrário, torna os corações capazes de compreender as línguas de todos, porque restabelece a ponte da comunicação autêntica entre a Terra e o Céu. O Espírito Santo é Amor. 

Mas como entrar no mistério do Espírito Santo, como compreender o segredo do Amor? A página evangélica conduz-nos hoje ao Cenáculo onde, tendo terminado a última Ceia, um sentido de desorientação entristece os Apóstolos. A razão é que as palavras de Jesus suscitam interrogativos preocupantes: Ele fala do ódio do mundo para com Ele e para com os seus, fala de uma sua misteriosa partida e há muitas outras coisas ainda para dizer, mas no momento os Apóstolos não são capazes de carregar o seu peso (cf. Jo 16, 12). Para os confortar explica o significado do seu afastamento: irá mas voltará; entretanto não os abandonará, não os deixará órfãos. 

Enviará o Consolador, o Espírito do Pai, e será o Espírito que dará a conhecer que a obra de Cristo é obra de amor: amor d'Ele que se ofereceu, amor do Pai que o concedeu. 

É este o mistério do Pentecostes: o Espírito Santo ilumina o espírito humano e, revelando Cristo crucificado e ressuscitado, indica o caminho para se tornar mais semelhantes a Ele, isto é, ser "expressão e instrumento do amor que d'Ele promana" (Deus caritas est 33). 

Reunida com Maria, como na sua origem, a Igreja hoje reza: "Veni Sancte Spiritus! Vem, Espírito Santo, enche os corações dos teus fiéis e acende neles o fogo do teu amor!". 

Amém.

Confira as fotos que marcaram esta belíssima Celebração:






















quarta-feira, 22 de maio de 2013

Encontrão da PJ em Alvorada do Gurguéia

A Juventude da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, da cidade de Alvorada do Gurguéia (PI), Região Norte da Diocese, esteve reunida neste domingo, dia 20 de maio Solenidade de Pentecostes, para realização do Encontro Paroquial de Formação da Pastoral da Juventude. No encontro estiveram presentes, grupos de jovens da Cidade de Alvorada e das Comunidades: Barra de Santana, Cascavel e Projeto Piauí.
 
As atividades tiveram início as 09h com café da manhã e acolhida das comunidades pelo Pároco, Padre Crisóstomo Pereira. O Coordenador Diocesano, Renan Batista, motivou a Oração Inicial do Ofício Divino da Juventude (ODJ) seguindo a temática da liturgia do dia (a Festa de Pentecostes). Durante a manhã os participantes trabalharam a Identidade, conhecendo a Pastoral da Juventude, estudando o Subsídio: "Somos Igreja Jovem - Pastoral da Juventude: Um Jeito de Ser e Fazer".
Na parte da tarde foram ministradas as oficinas de Teatro por Bruno Rodrigues, jovem do grupo de base da Matriz do Bom Jesus da Boa Sentença em Bom Jesus, e Dança por William Silva, secretario diocesano e coordenador na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, de Corrente (PI).
 


O Encontro culminou com a apresentação dos trabalhos pelos jovens participantes e retorno as comunidades às 16h. Ainda na programação, os jovens da cidade participaram da organização da liturgia e da Celebração Eucarística na Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida às 19h30.


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quinta-feira, 2 de maio de 2013

6º. Domingo do Tempo Pascal – Ano C

Na 1ª Leitura, Paulo e Barnabé assumem a causa dos pagãos convertidos. Alguns judeu-cristãos queriam impor regras judaicas para os cristão-gentílicos. O gentil tinha se convertido ao cristianismo e não ao judaísmo, por isso, não havia sentido em seguir as leis judaicas. Paulo e Barnabé resolveram o problema através da oração e do diálogo, reportando-se aos irmãos de Jerusalém. Assim, nasceu o Concílio de Jerusalém, que, dirigido pelo Espírito Santo, deu razão a Paulo: “não se pode impor nenhum fardo, além das coisas indispensáveis”.

A máxima estabelecida pela Igreja Primitiva – “não impor nenhum fardo” – é sempre bem vinda. A religião jamais pode ser uma prática imposta, um peso, algo duro de suportar. É contraditório, pois na essência da experiência religiosa está a liberdade e o amor. Uma fé de obrigação, uma infelicidade encoberta pelas roupas da obediência a Deus são testemunhos negativos diante de um mundo que anseia pelo anúncio da Boa Nova, como nos diz Bento XVI: “A falta de alegria, o escrúpulo atormentado, a estreiteza espiritual são responsáveis pela mais forte refutação do cristianismo. O sentimento de que o cristianismo é contrário à alegria e a impressão de tormento e desconforto é, certamente, uma causa muito mais importante da deserção das igrejas do que todos os problemas teóricos que possa, hoje, colocar a fé cristã”.

“Ele vos enviará outro Paráclito”. Paráclito é o defensor, o conselheiro, o consolador. Deus age deste modo tríplice: defende-nos quando corremos perigo, quando não sabemos nos defender sozinhos; aconselha-nos com sua palavra quando não sabemos que caminho tomar, de que modo proceder; consola-nos quando as lágrimas da tristeza correm no nosso rosto – então Ele nos carrega no colo.

Trata-se de “um outro Paráclito”. O primeiro iria deixar os discípulos sozinhos. Não foi fácil saber que Jesus estava prestes a partir, ficaria um vazio, uma saudade... Aquele que ensinava, animava, despertava sonhos, curava, comia com eles não estaria mais perto deles. Mas a perda se transformaria em lucro, pois a nova presença divina inaugurada com sua partida não os deixaria órfãos. A presença não seria mais externa, mas sim interna. O Espírito é Deus em nós, no nosso interior, no nosso coração. O Espírito é uma voz que nos impulsiona a partir de dentro como se houvesse uma só ação, uma só vontade. Um impulso que nos move para frente, que nos faz crescer em vida e santidade. “De alguma maneira perceberemos que a fonte desse impulso vem de um lugar em nós mais profundo do que nós mesmos, mas não veremos a pessoa, o paráclito, que dá origem a esse impulso.” (D. Bernardo Bonowitz). Hoje o Senhor continua agindo dentro de nós, movendo-nos para o bem.

Sua presença elimina todo medo, toda tristeza, destrói o desconforto: “Não se perturbe o vosso coração!” A certeza de que o futuro está nas mãos de Deus e de que este mundo passa assegura a paz. Portanto a paz está pautada na esperança, na certeza antecipada da vitória de Deus sobre todo mal e sobre toda dor.

“Deixo-vos a minha paz”. Não a paz que o mundo promete a partir de falsas seguranças de prazer e de riquezas. A paz do Senhor é o shalom – a plenitude de vida que só pode vir se o Senhor partir e concretizar o seu plano de amor. Não significa ausência de problemas, pois as lutas da vida continuam. O shalom, a verdadeira paz, é um dom de Deus, mas precisa da colaboração humana. Diante das guerras, da fome, da depressão, da morte, da exploração, da impunidade, devemos lutar para que o Reino aconteça. O cristão acolhe o dom da paz que é a certeza da vitória do amor, mas também luta para que a paz do Reino se instaure. Tudo isso com a graça do Paráclito que mora em nós.
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Pe Roberto Nentwig